• yabane diatane
  • -
  • shawadawa
00:00 / 00:00
  • Facebook
  • Google+
  • YouTube
  • Pinterest
  • Instagram

CONTATO >

T: (11) 46809660

F: +55 11 999107214 Daosha

F: +55 11 996924771 Txãda

E: daoshapassaroalegre@gmail.com

© 2019 - Shawãdawa - Feito por: Daosha Pássaro Alegre

Ararinha calçados,  bolsas e acessórios

Hoje estendemos esse conhecimento da fabricação de calçados feitos artesanalmente  de látex puro, para as comunidades da região do Tapajós, no Pará, município de Belterra onde reside milhares de seringueiras  espalhadas pelos quintais dos moradores  das comunidade de Jamaraquá e São Domingos. Daosha e Txada Shawã, idealizadores dos calçados Ararinha levaram a oficina para as mulheres   , começando a movimentar novamente uma nova era das seringas na região, levando esperança  e  renda monetária  para a comunidade. Foram 25 dias  de oficina, desde como extrair  a tintura dos frutos  e também as cores  de terra . Foram colhidas terras do Peru , em locais de aguas termais  , o que resultou em cores fortes e lindas. Também foram colhida as terras vermelhas, amarela e argila vermelha do Tapajós. "imagina" !!! cores incríveis. Cada designer foi estudado com muito carinho, para ensinar as mulheres da comunidade  que já trabalhavam com lindas bio jóias feitas da folha de látex.  A idéia é que elas dessem seu toque de acabamento peculiar com a linha de buriti. Também foi ensinado a fazer solado à partir do pó de madeira com látex.

                                   

                                             Um pouco sobre Belterra

No princípio do séc. XX Nos Estados Unidos, Henry Ford acabava de criar  a indústria automobilística.  Os pneus, que para serem fabricados dependiam de látex, matéria prima que naquela época só tinha um produtor: o Brasil, ou mais especificamente, a Amazônia.

Assim, Ford decidiu que precisava produzir látex. Para isso, mandou um representante ao Brasil para negociar com o governo brasileiro.  O governo tinha todo o interesse em povoar seu território, garantindo sua posse efetiva e incentivando o desenvolvimento da região especialmente se a empreitada envolvia alguém com o pedigree da Ford. Assim, cedeu à companhia americana uma imensa área de floresta para explorar como quisesse: cerca de 10 mil quilômetros quadrados às margens do Rio Tapajós – para efeitos de comparação, a Bélgica tem pouco mais de 30 mil quilômetros quadrados de território.

De posse da terra, Ford seguiu com seu plano: mandou trazer dos EUA toda a estrutura de uma cidade americana típica, desmontada nos porões de navios. Em 1927, Fordlândia – como a área logo se tornou conhecida – foi oficialmente inaugurada. No seu auge, a vila tinha lindas casinhas em estilo americano, com varandas e jardins, galpões industriais para o beneficiamento do látex, uma imensa caixa d’água de ferro que garantia o abastecimento da cidade e saneamento básico (o que não acontecia em nenhuma outra cidade da Amazônia da época). Além disso possuía um clube onde, nos finais de semana, rolavam animados bailes ao som de ritmos como foxtrot e swing , além do hospital mais bem equipado em toda a região. Nesse simulacro de cidade moravam os americanos que vinham coordenar o trabalho de produção e beneficiamento do látex – os brasileiros, que tocavam o trabalho pesado, habitavam um outro povoado próximo, bem mais simples.

Para Ford, o método tradicional de produção de látex, onde os seringueiros vagavam a floresta atrás das árvores nativas, era ilógico e improdutivo. Assim, ele definiu que Fordlândia teria uma plantação de seringueiras, otimizando a produção . Vieram para a Amazônia engenheiros, técnicos e administradores – mas nenhum agrônomo ou biólogo que pudesse ajudar a planejar e tocar a imensa plantação de seringueiras. Depois de muitos anos de tentativa e erro que Ford finalmente decidiu enviar à Fordlândia alguns especialistas em agricultura tropical, que logo chegaram a conclusão de que o local escolhido para a plantação era inapropriado – a localização de Fordlância havia sido escolhido devido a sua facilidade de acesso pelo rio, porém o terreno em torno era irregular e pedregoso.  Assim, a única alternativa era transportar a plantação para outro local – o ponto escolhido foi batizado como Belterra e de cara se mostrou muito mais promissor, com um solo fértil e uma topografia que permitia o uso de máquinas. Porém, esse sucesso veio tarde demais, e em meados dos anos 40 a borracha sintética foi inventada, acabando com a motivação para a aventura amazônica de Ford. Em 1945, o neto de Ford, Henry Ford II, vendeu todo o empreendimento de volta ao governo brasileiro, amargando um prejuízo de US$20 milhões no processo. Embora Belterra tenha perseverado e hoje seja um município de pouco mais de 16 mil habitantes, Fordlândia acabou sendo quase que completamente abandonada com o tempo, a não ser por poucas famílias que ainda hoje vivem por lá.